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"Seja-vos
possível fundir-vos em uma única e mesma família..." Enquanto a oportunidade
se apresenta, revesti-vos do manto branco, abafai as discórdias, pois
que as discórdias pertencem ao reino do mal que vai ter fim. Seja-vos
possível fundir-vos em uma única e mesma família e dar-vos mutuamente,
do fundo do coração e sem pensamento premeditado, o nome de irmãos. Se,
entre vós, há dissidências, causas de antagonismos, se os grupos que devem
todos marchar para um objetivo comum, estiverem divididos, eu o lamento,
sem me preocupar com as causas, sem examinar quem cometeu os primeiros
erros e me coloco, sem hesitar, do lado daquele que tiver mais caridade,
isto é, mais abnegação e verdadeira humildade, pois aquele a quem falta
a caridade está sempre errado, assistido embora por qualquer espécie de
razão, pois Deus maldiz quem diz a seu irmão: racca. Os grupos são indivíduos
coletivos que devem viver em paz, como os indivíduos, se, realmente, são
espíritas. Eles são os batalhões da grande falange. Ora, o que será feito
de uma falange cujos batalhões se dividirem? Aqueles que vêem o próximo
com olhos ciumentos, provam, só por isso, que estão sob uma ruim influência,
pois que o Espírito do bem não pode produzir o mal. Vós o sabeis: a árvore
reconhece-se pelos frutos. Ora, o fruto do orgulho, da inveja e do ciúme
é um fruto envenenado que mata quem dele se nutre. O que digo das dissidências
entre grupos vale, igualmente, para as que possam haver entre os indivíduos.
Em semelhante circunstância, a opinião das pessoas imparciais é sempre
favorável àquele que dá provas de maior grandeza e de generosidade. Aqui
na Terra, onde ninguém é infalível, a indulgência recíproca é uma conseqüência
do princípio da caridade que nos leva a agir para com os outros como quereríamos
que os outros agissem para conosco. Ora, sem indulgência não há caridade,
sem caridade não há verdadeiro Espírita. A moderação é um dos sinais característicos
desse sentimento, como a acrimônia e o rancor são sinais da negação. Com
acrimônia e espírito vingativo deterioram-se as mais dignas causas, mas
com a moderação fortalecemo-las, se estamos de seu lado, ou delas passamos
a participar, se não o fizemos ainda. Se, pois, eu tivesse de opinar em
uma divergência, eu me preocuparia menos com as causas e mais com as conseqüências.
As causas, em querelas ocasionadas sobretudo por palavras, podem ser o
resultado de questões das quais nem sempre somos senhores; a conduta ulterior
de dois adversários é o resultado da reflexão; eles agem de sangue frio
e é então que o verdadeiro caráter de cada uma das partes se define. Uma
ruim cabeça e um mau coração caminham muitas vezes juntos, porém rancor
e bom coração são incompatíveis. Minha medida de apreciação seria, então,
a caridade, isto é, eu observaria aquele que menos mal diz de seu adversário,
aquele que é o mais moderado em suas recriminações. É segundo esta medida
que Deus nos julgará, pois que Ele será indulgente para quem tiver sido
indulgente e será inflexível para quem tiver sido inflexível.ocasionadas
sobretudo por palavras, podem ser o resultado de questões das quais nem
sempre somos senhores; a conduta ulterior de dois adversários é o resultado
da reflexão; eles agem de sangue frio e é então que o verdadeiro caráter
de cada uma das partes se define. Uma ruim cabeça e um mau coração caminham
muitas vezes juntos, porém rancor e bom coração são incompatíveis. Minha
medida de apreciação seria, então, a caridade, isto é, eu observaria aquele
que menos mal diz de seu adversário, aquele que é o mais moderado em suas
recriminações. É segundo esta medida que Deus nos julgará, pois que Ele
será indulgente para quem tiver sido indulgente e será inflexível para
quem tiver sido inflexível. A rota traçada pela caridade é clara, infalível
e sem equívocos. Poderíamos defini-la assim: "Sentimento de benevolência,
de justiça e de indulgência relativamente ao próximo, baseado no que quereríamos
que o próximo nos fizesse". Tomando-a por guia, podemos estar certos de
não nos afastar do caminho reto que conduz a Deus. Quem deseja, de maneira
sincera e séria trabalhar por sua própria melhoria, deve analisar a caridade
em seus mínimos detalhes e por ela conformar sua conduta, pois ela se
aplica a todas as circunstâncias da vida, tanto às mais simples, quanto
às mais complexas. De cada vez que estivermos incertos quanto ao partido
a tomar, no interesse alheio, basta que interroguemos a caridade e ela
responderá, sempre de maneira justa. Infelizmente escuta-se mais freqüentemente
a voz do egoísmo.
Viagem Espírita em 1862, O Clarim, 2. ed., pp. 101-104
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