|
Era inicialmente chamado de Saulo, nascido na cidade de Tarso, capital
da Província romana da Cilícia.
Depois de Jesus, é considerada a figura mais importante
do Cristianismo. Era um judeu da Diáspora (Dispersão) de uma importante
e rica família. Começou a receber aos 14 anos a formação rabínica,
sendo criado de uma forma rígida no cumprimento das rigorosas normas
dos fariseus, classe religiosa dominante daquela época, e ensinado
a ter o orgulho racial tão peculiar aos judeus da Antiguidade.
Mudou-se para Jerusalém, para tornar-se um dos principais
sacerdotes do Templo do Rei Salomão. Conheceu Abgail, filha adotiva
de Zacarias e Ruth, com quem travou relações de afeição e tornou-se
noivo. O casal tecia sonhos de um casamento feliz seguindo as leis
de Moisés.
Certo dia Saulo através de um amigo deparou-se com
uma seita de iniciantes que tinha nascido dentro do Judaísmo, mas
que ao seu ver, era contrária aos principais ensinos farisaicos.
Dentro da extrema honestidade para com a sua fé e sentindo-se
profundamente ofendido com esta seita que se chamava cristã, resolveu
averiguar as informações, indo na tão falada igreja do Caminho. Lá
encontrou Estevão que falava de modo eloqüente e apaixonado sobre
um tal de Cristo que os cristãos reconheciam como o messias prometido.
Saulo percebeu com as palavras de Estevão os perigos
que os novos ensinamentos acarretavam para o Judaísmo dominante, revoltou-se,
seu raciocínio não reconhecia aquele Cristo morto entre dois ladrões.
Discutiu com Estevão no meio do povo, e pela primeira vez em sua vida
sentiu-se humilhado por não conseguir manter a sua eloqüência costumeira.
Foi assim que se iniciou a grande perseguição aos cristãos, culminando
com a morte de Estevão, diácono grego, grande pregador cristão, primeiro
mártir do Cristianismo e irmão de Abgail. Saulo foi um dos maiores
responsáveis pela condenação de Estevão e o seu perdão na hora da
morte aumentou sua raiva fazendo com que terminasse seu noivado e
se preparasse para uma viagem à Damasco atrás de seguidores do Cristianismo.
Na entrada desta cidade, em dado instante têm a impressão
que o ar se fende como uma cortina sob pressão invisível e poderosa.
Considera-se preso de inesperada vertigem. Tenta pedir socorro mais
não consegue.
Há uma confusão em seus sentidos, a visão parece dilatar-se
ao infinito, uma luz lhe banha os olhos deslumbrados e ele vê surgir
à figura de um homem de grande beleza, dando-lhe a impressão de que
desceu do céu ao seu encontro.
O Doutor de Tarso contemplava-o com espanto quando
o desconhecido falou:
- Saulo! Por que me persegues?
O moço tarsense que estava de joelhos, sem poder definir
o que se passava comprimiu o coração. Grande sentimento de veneração
apossou-se dele. Quem era Ele?
Seus companheiros o cercavam sem nada ouvirem nem verem.
Saulo interroga:
- Quem sois vós senhor?
Num tom de inconcebível doçura o senhor respondeu:
- Eu sou Jesus.
O orgulhoso e inflexível Doutor da lei curvou-se em
pranto convulsivo. Diante dos olhos tinha aquele Cristo magnânimo,
incompreendido. Em sua mente tudo ficou claro, os pregadores do Caminho
não estavam iludidos. A palavra de Estevão era verdade pura. Aquele
era o Messias. Sim, ele, Saulo, via-o ali no esplendor de suas glórias.
Experimentou invencível vergonha do seu passado cruel. Quis falar,
pedir perdão, protestar fidelidade e dedicação, mas seu sincero arrependimento
embargava-lhe a voz.
Após alguns instantes conseguiu dizer:
- Senhor que quereis que eu faça?
Jesus respondeu:
- Levanta-te, Saulo. Entra na cidade e lá te será dito
o que deverá fazer.
Ficou cego imediatamente. Foi levado para a cidade.
Depois de alguns dias, um discípulo de Jesus, chamado Ananias, foi
incumbido de curá-lo. Após voltar a enxergar, converteu-se ao Cristianismo
e sua vida transformou-se.
Foi abandonado por todos os seus antigos amigos e por
sua família, resolveu recolher-se ao deserto para melhor estudar os
pergaminhos do Cristo. Mudou seu nome para Paulo, a partir de então
se tornaria o "Apóstolo dos Gentios", ou seja, aquele enviado para
disseminar o Evangelho para o povo não judeu.
Foi a Jerusalém, levado por Barnabé, para se encontrar
com Pedro e Tiago, líderes da principal comunidade cristã até então.
Durante 16 anos, após sua conversão, ele pregou no
vale do Jordão, na Síria e na Cicília. Foi especialmente perseguido
pelos judeus, que o consideravam um grande traidor.
Fez grandes viagens missionárias, sendo a última à
Roma como prisioneiro, para ser julgado, e nunca mais retornou para
a Judéia.
Certamente escreveu inúmeras cartas, mas somente 14
destas chegaram até nós, chamadas de Epístolas Paulinas. Através de
suas cartas, Paulo transmitiu às comunidades cristãs e aos seus discípulos
uma fé fervorosa em Jesus Cristo, na sua morte e ressurreição. A esta
fé soma-se um fator fundamental: o seu temperamento, que era passional,
enérgico, ativo, corajoso e também capaz de idéias elevadas e poéticas.
No ano de 64 DC foi morto pelas Legiões Romanas, nas
perseguições aos Cristãos instauradas por Nero, depois do grande incêndio
de Roma.
Texto
baseado no livro Paulo e Estevão de Emmanuel - por Francisco
Cândido Xavier
VOLTAR
|