O século passado assistiu ao despertar da humanidade com o avanço do
Saber e da Ciência e conquista da liberdade de pensar. A Ciência liberta-se
do jugo da Igreja. Não podendo aceitar Deus e a imortalidade conforme
os ensinamentos da religião, que entendia absurdos, passou a ignorar
a Religião. Ao negarem as afirmativas religiosas, infelizmente, passaram
a negar o espírito imortal e o próprio Criador
A Ciência, ao livrar-se das peias da religião dogmática e fanatizada,
liberta-se, mas... se submete ao domínio da matéria. Repudiando os inaceitáveis
dogmas da Igreja, aceitou um novo dogma: "o acaso". Tudo passa a ser
matéria resultante do acaso.
Os homens de saber, aos quais cabia orientar o povo, esqueceram e menosprezaram
os ensinamentos do Cristo e os religiosos deturparam a palavra do Mestre.
Era chegado o momento de reativar-lhes a memória.
Havia, pois chegado o momento de cumprir-se a promessa do Messias: "Se
me amais, guardai os meus ensinamentos. E eu rogarei ao Pai e ele vos
dará outro Consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito
de Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o
conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará
em vós. Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará
em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo
o que vos tenho dito." (João, XIV: 15 a 17; 26).
A Espiritualidade, preparando o evento, enviara milhares de espíritos
para, reencarnados, auxiliarem o Espírito de Verdade e seus prepostos
a trazerem para a humanidade as luzes de novos conhecimentos e reafirmar
aqueles ensinados mas esquecidos ou deturpados.
Os novos conhecimentos vieram através de milhares de médiuns que, espalhados
por todo o mundo, permitiram aos Espíritos trazerem a "grande mensagem",
simultaneamente, para todos os povos.
Surgiram as mesas falantes, as comunicações faladas e escritas, os fenômenos
de efeitos físicos e com eles as provas da existência da alma, da imortalidade,
descortinando a vida além da morte. Os fenômenos exuberantes, testemunhados
por milhões de pessoas e atestados por centenas de cientistas e homens
reconhecidamente de grande cultura e saber, tiveram por objetivo unir
a Ciência à Religião, lembrar os ensinamentos do Cristo, esclarecê-los
e ministrar novos conhecimentos para a humanidade reencontrar o caminho
da evolução do saber e da moral, único capaz de permitir o aperfeiçoamento
amplo e real da humanidade.
Os conhecimentos trazidos pelos Espíritos foram estudados, catalogados,
organizados e publicados por Allan Kardec em cinco maravilhosos livros:
O Livro dos Espíritos (1857), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho
Segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865), A Gênese (1868)
além de Obras Póstumas, publicado em 1890. Estes são os principais livros
da Codificação do Espiritismo, cuja literatura soma muitas dezenas de
milhares de revistas, jornais e livros em centenas de milhões de exemplares.
O povo francês, por orgulho e vaidade e quiçá envolvido por interesses
mesquinhos, não soube compreender a beleza dos ensinamentos da Codificação
Kardequiana (realizada por um francês, na França) como um corpo doutrinário
constituído de três partes inseparáveis: Ciência, Filosofia e Religião.
Repudiaram a Filosofia e sobretudo a Religião e seguiram o caminho da
Ciência materialista. Desviaram-se do roteiro preconizado pelo Espírito
de Verdade (por meio da Doutrina Espírita), que é "a grande esperança"
para a libertação da humanidade das amarras da ignorância e do erro
e que lhe permitirá um desenvolvimento completo, só possível dentro
da paz, da harmonia e da fraternidade propostas pelo Cristo.